28.6.09

onde há medo não há amor

o medo e o amor não podem habitar o mesmo coração...
o coração que dá lugar ao medo endurece, esfria, resseca. bate até, mas bate cansado, sem vida, sem vontade. arrasta corrente e não encontra paz. não se entrega. não dorme. não sonha. não vive. permance apenas. permanece duro, frio e ressecado. não enxerga a vida. fecha-se no escuro, só, triste. tomado por um monstro que nem ele próprio consegue descrever.
chora, se contrai e adormece.
o sol se levanta um dia. o sol se levanta todo dia, aliás, mas em um dia especial o sol se levanta e aquece esse coração - feito - de medo.
nesse dia cai uma semente de esperança. brota uma vida e uma flor começa a aparecer. o medo se afasta, no começo, por pouco tempo. daí, sorrateiro, ele volta, mas só pela presença da flor ele já se sente menos a vontade, meio sem lugar para ficar.
a flor cresce a cada dia e crescem outras ao seu redor. vem um abelha e ronda a flor mais bela. inicia-se uma relação de troca e de amor. o medo desconfia, já bastante incomodado, que não pode mais ficar.
cai o orvalho e com ele toda espécie de vida vibra nesse coração. ele se infla, amacia, acelera, se enobrece e desperta, enfim. se umedece, esquenta, se sente em plena forma. vivo, sonha, se entrega e bate certeiro, vitalizado, sem mais se cansar.
o medo se encolhe, se contorce, se enfraquece e some, correndo. ele sai e não tem mais como voltar.