9.4.10

retrospectando


vou retomar as postagens voltando um pouco no tempo. voltando à atmosfera que me envolvia quando fiz meu último post...
inspiro profundamente no momento presente, fixo minhas bases aqui. ancoro minha energia no que estou desenvolvendo agora, mas fecho meus olhos em silêncio e faço um mergulho rumo a meu interior. vou lá dentro. visualizo meu corpo voltando comigo nessa busca. agora sinto. meu coração vem comigo nessa viagem. agora posso sentir como as coisas estavam no começo de dezembro de 2009. lembro-me agora. apesar de estar aparentemente feliz alguma coisa soava desconfortável em minha natureza...
vejo meu namorado e eu apaixonados, estava finalizando o curso de formação em ayurveda que eu tanto desejava, meu filho estava na escola que eu sempre sonhei, meu emprego era seguro e bem remunerado, saía quase toda quinta-feira com algumas amigas para dançar, nos finais de semana ia com frequência à lindas cachoeiras e curtia a reenergização e o romance que este cenário propcia. "tudo estava bem!!!".
em momentos de uma certa melancolia falava de coisas que não identificava facilmente: eram sensações, eram inquietações, eram sentimentos quase materializados em nós de energia pelo meu corpo e sufocados pela rotina massante com que “normalmente” atravessava os dias.
lembro-me da sensação em relação a rotina: estava "normalmente" puxada. sentia-me angustiada pela necessidade do cumprimento de múltiplas funções importantíssimas. havia uma impotência em dar conta de todas bem e ao mesmo tempo. desdobrava-me entre o filho, as amigas, o namorado, as irmãs, a camila, a kamala e as outras 10 funções mais que as imprudências e inconsciências da vida me obrigaram a acumular.
meus limites eram cada vez mais elásticos e não paravam de se esticar: não dormia mais na hora que eu gostava tentando arrumar tempo pra ser mulher e acordava na hora que eu não queria para tentar dar conta de ser mãe. passava as noites em claro para escutar a kamala, enquanto a camila sobrevivia agonizando silenciosamente 8 horas por dia dentro de um quadrado branco com uma tela de computador, zumbizava nas horas que sobravam e o que sobrava de mim tentando cumprir com o que ainda pendia... e "normalmente" a vida ia passando... e "normalmente" a vida se estrangulava...
aparentemente me recuperava de um processo de aceitação profunda e intensa de ferramentas novas que precisei fazer uso pra conservar a saúde e a felicidade!! e profundamente me recuperava da morte da forma que um movimento interno dessa dimensão pode acarretar, sem ter a consciência clara e tampouco a gratidão justa de que isso seria primordial e muito para que a essência pudesse vir à tona!!
apesar de todo esse drama retratado sentia-me feliz e apaixonada. apaixonada por mim, pela natureza, pela imensidão do universo e, principalmente, pela vaquinha que tinha chegado a poucos meses, o que me dava uma satisfação superficial - falsa felicidade - e encobria ainda mais a tal melancolia que surgia de vez em sempre!!!
a incapacidade de compreensão da magnitude da vida, ou seja, a percepção fragmentada e, portanto, formatada e egóica que temos do TODO, não permitiu que fosse percebido, na época, que havia melancolia e que havia algo que encobria a tal melancolia. mas ela estava lá e estava tornando-se mais presente a cada dia...
a vaquinha, que me fazia acreditar ainda mais na falsa felicidade, foi para o precipício e foi o pivô de tudo - de todas as mudanças. mas só percebi faz pouco, tanto que havia uma vaquinha quanto que ela foi para o precipício!
vocês conhecem a história da vaquinha, não é? se não conhecem deveriam conhecer e tentar identificar quem ou o quê é a vaquinha na história [que você mesmo escreve] da sua vida... eu não tive coragem de jogar a minha vaquinha conscientemente no precipício, mas inconscientemente fiz isso e foi nesse mesmo momento que puxei o freio de mão do blog [e da vida!].