17.9.10

...amor consciente amor...


a vida é cheia de sutilezas que de tão sutis quase não conseguimos percebê-las...
ando sentindo-me bastante estranha, bastante confusa, sem rumo. não tenho mais nada que me prenda a uma rotina que não me faça feliz e às vezes isso contribui para não saber ao certo o que fazer! bizarro paradoxo, mas enfim...
minha casa que normalmente trago arrumada já anda uma certa bagunça, com roupas jogadas por todos os lados, da mesma forma que tenho feito com certas coisas dentro de mim, jogando de qualquer maneira, aceitando de qualquer forma, colocando em qualquer lugar. certo é que me falta algo, alguma conexão, lembrar e aplicar algum ensinamento. e neste momento que trago isso claro pra mim lembro de um trecho de um livro li e que nem gosto muito do autor, mas que falava que ao invés de resistirmos a qualquer coisa que não nos agrade por medo do confronto, a melhor maneira de dispersarmos o que quer que seja, é entrar nesta coisa completamente, seja ela uma emoção, uma sensação, um sentimento. é abraçar com todo braço, mergulhar de cabeça e enxergar através da nossa própria resistência! e de tão perdida que tenho me sentido, não tenho encontrado nem o “buraco” onde mergulhar...
mas agora a pouco entrei num pranto intenso e profundo, sem palavras, conduzida por uma música que me levou a algum lugar que eu não estava conseguindo ir sozinha. o que eu tive que ir buscar lá em palavras não consigo traduzir o que seja, mas, de qualquer forma, posso perfeitamente falar que voltei sentindo-me diferente!
quem tá na foto acima é uma das minhas irmãs. quando ouvi a música lembrei-me do seu sorriso. da última vez que ouvi esta música, aliás era a primeira vez que a ouvia, ela estava comigo e estávamos celebrando a vida, as conquistas, as perdas, as trajetórias nem sempre felizes, mas sempre de crescimento, e é claro, a companhia uma da outra e da nossa família. de certa forma estávamos celebrando também uma despedida, porque em poucos dias eu ia me mudar pra longe e ficaríamos um bom tempo sem um momento tão lindo como aquele!
a música falava de um amor muito especial e verdadeiro entre uma neta e uma avó que voltava a habitar a consciência cósmica. falava em apego também e em como era difícil seguir a diante sem ele, o apego, e sem ela, a avó. essa avó havia dado a essa neta todo o amor que ela tinha e na música isso tudo vinha: “...se queres partir, ir embora, me olhas da onde estiver, que eu vou te mostrar que eu to pronta, me colha madura do pé...”, “...cila, pode ir tranqüila, teu rebanho tá pronto!...” , “...me mostra um caminho agora, um jeito de estar sem você, o apego não quer ir embora. diacho, ele tem que querer!...”.
chorei. a essência é algo que me comove verdadeiramente...
aceitei aquele pranto e ainda não fiz questão de definir em uma palavra o que foi. sei que vieram muitas sensações que talvez eu estivesse inconscientemente tentando evitar: a sensação daquele dia, de estar em família, de estar feliz com todos junto; a sensação das crianças felizes juntas; a sensação de perceber que a casa nova que minha irmã montava ganhava vida, aliás, como tudo o que colocamos nossa energia ganha; a sensação da gente dançando - dançamos muito aquele dia - e veio também a sensação de tudo o que a dança me deu; veio a sensação de ter uma amiga muito querida que mesmo de longe preenche e constrói comigo minhas subidas e descidas; a sensação de uma outra amiga, que de longe, já não está mais; a sensação de um menino quase homem que existiu e existe ainda hoje nas minhas fantasias, lembranças e recordações... e isso me levou de novo à dança, que me levou à outras sensações, que me levaram aonde eu tinha que ir e nem sabia que tinha e nem sabia como e nem sabia onde...
voltei deste transe não me sentindo sozinha, não me sentindo separada, não me sentindo distante... os amo, agora, consciente que os amo com muito amor.
estão todos - e tudo - aqui ao meu lado, junto, bem junto, a mim e a Samuel, fazendo parte da trilha e construindo o Ser.