16.4.10

carta à uma amiga do sul

os dias aqui no rio tem sido bem difíceis... desde que cheguei, há uma semana, vivencio a todo instante uma sensação muito forte de desconexão. a desconexão é tanta que alguns "sintomas" que eu apresentava quando comecei a fazer uso das taaaaais ferramentas adicionais voltaram e minha vontade é de sair correndo daqui. aliás, como fiz em dezembro. mas dessa vez não dá!
como para todo ciclo que se inicia existe um ciclo que se fecha, estou precisando dar conta de muita coisa em um curto espaço de tempo e é claro que as coisas começaram a não dar muito certo... ontem me senti o cocô do cavalo do bandido. primeiro, porque quase caí num golpe de gente desonesta e sem moral. logo em seguida, me atropelei numa situação ridícula e acabei ouvindo, de uma pessoa que nem é próxima a mim, algo que reflete exatamente o que eu tenho de mais sério pra transmutar na minha vida!!!

poderia não ter batido nada em mim, mas é como aquela história de te chamarem de girafa... se alguém te chamar de girafa você vai perder algum minuto da sua vida pensando se você é ou não é uma girafa? ou vai ficar tentando convencer a pessoa de que você não é uma girafa?? poizé, se eu tivesse segurança do que é, não teria incomodado tanto..
mas caraca, viu? até um es-tra-nho conseguiu identificar esse padrão em mim e a minha ficha continua só caindo depois do caos instalado!!! e então fiquei arrasada o dia todo e com uma espécie de dor de cotuvelo!!! pra fechar, um pouco mais tarde escutei uma pessoa que considero muito sábia e que me conhece muito bem, falar sobre o "óbvio ululante" que eu nem estou conseguindo suprir neste momento...
nham, nham, nham, estou enfrentando um período de grandes mudanças! por isso tudo parece tão confuso: dar conta de todos os meus "processos", dar conta de dar as coordenadas das mudanças físicas... e, num duelo contra o tempo, percebo que tenho que diminuir o ritmo pra fazer as coisas "certas".
ainda bem que uma fada me contou que um economista muito esperto declarou, há tempos atrás, que UMA CRISE É UMA SITUAÇÃO BOA DEMAIS PARA SER DESPERDIÇADA: tem muito aprendizado!
tenho que praticar a minha paciência e respeitar os meus limites. é preciso calma, determinação e perseverança!!! ter claro onde se quer chegar! enfim, tudo isso para eu constatar que: o que causa angústia é não conseguir nomear o que é. o tempo já é por si só uma baita ilusão e se não o usamos a nosso favor, então a vida é sobrevivência!!!
agora, esclarecendo pra você [e pra mim] os meus limites, já me sinto até aliviada, como se tivesse me livrado de uma pistola apontada pra minha cabeça. e o pior de tudo, que eu mesma tinha colocado ali... agora sinto-me novamente entrando em fluxo e vejo as flores por onde caminho. então, [suspiro] deixo que a vida caminhe com suas próprias pernas.
sigo decidida, mas com calma. permito que se manifeste o espaço mágico onde a vida acontece como tem que acontecer. [saio do controle!] tenho outra vez a certeza de que tudo está no melhor lugar que poderia estar e que o mais importante é o agora. estarmos bem no momento presente é o propósito primário da vida, pois não temos a opção de sermos felizes em outro tempo... fico aqui.
amor, luz, paz e encantamento. tempo lindo e com flores!
um abraço bem apertado no colo de iemanjá.
espiritualmente presente,
kamala

12.4.10

maia

não existe nem bem nem mal
nem bom nem mau
o que não é simplesmente se dissolve
às vezes o tempo é uma ilusão curadora....

9.4.10

retrospectando


vou retomar as postagens voltando um pouco no tempo. voltando à atmosfera que me envolvia quando fiz meu último post...
inspiro profundamente no momento presente, fixo minhas bases aqui. ancoro minha energia no que estou desenvolvendo agora, mas fecho meus olhos em silêncio e faço um mergulho rumo a meu interior. vou lá dentro. visualizo meu corpo voltando comigo nessa busca. agora sinto. meu coração vem comigo nessa viagem. agora posso sentir como as coisas estavam no começo de dezembro de 2009. lembro-me agora. apesar de estar aparentemente feliz alguma coisa soava desconfortável em minha natureza...
vejo meu namorado e eu apaixonados, estava finalizando o curso de formação em ayurveda que eu tanto desejava, meu filho estava na escola que eu sempre sonhei, meu emprego era seguro e bem remunerado, saía quase toda quinta-feira com algumas amigas para dançar, nos finais de semana ia com frequência à lindas cachoeiras e curtia a reenergização e o romance que este cenário propcia. "tudo estava bem!!!".
em momentos de uma certa melancolia falava de coisas que não identificava facilmente: eram sensações, eram inquietações, eram sentimentos quase materializados em nós de energia pelo meu corpo e sufocados pela rotina massante com que “normalmente” atravessava os dias.
lembro-me da sensação em relação a rotina: estava "normalmente" puxada. sentia-me angustiada pela necessidade do cumprimento de múltiplas funções importantíssimas. havia uma impotência em dar conta de todas bem e ao mesmo tempo. desdobrava-me entre o filho, as amigas, o namorado, as irmãs, a camila, a kamala e as outras 10 funções mais que as imprudências e inconsciências da vida me obrigaram a acumular.
meus limites eram cada vez mais elásticos e não paravam de se esticar: não dormia mais na hora que eu gostava tentando arrumar tempo pra ser mulher e acordava na hora que eu não queria para tentar dar conta de ser mãe. passava as noites em claro para escutar a kamala, enquanto a camila sobrevivia agonizando silenciosamente 8 horas por dia dentro de um quadrado branco com uma tela de computador, zumbizava nas horas que sobravam e o que sobrava de mim tentando cumprir com o que ainda pendia... e "normalmente" a vida ia passando... e "normalmente" a vida se estrangulava...
aparentemente me recuperava de um processo de aceitação profunda e intensa de ferramentas novas que precisei fazer uso pra conservar a saúde e a felicidade!! e profundamente me recuperava da morte da forma que um movimento interno dessa dimensão pode acarretar, sem ter a consciência clara e tampouco a gratidão justa de que isso seria primordial e muito para que a essência pudesse vir à tona!!
apesar de todo esse drama retratado sentia-me feliz e apaixonada. apaixonada por mim, pela natureza, pela imensidão do universo e, principalmente, pela vaquinha que tinha chegado a poucos meses, o que me dava uma satisfação superficial - falsa felicidade - e encobria ainda mais a tal melancolia que surgia de vez em sempre!!!
a incapacidade de compreensão da magnitude da vida, ou seja, a percepção fragmentada e, portanto, formatada e egóica que temos do TODO, não permitiu que fosse percebido, na época, que havia melancolia e que havia algo que encobria a tal melancolia. mas ela estava lá e estava tornando-se mais presente a cada dia...
a vaquinha, que me fazia acreditar ainda mais na falsa felicidade, foi para o precipício e foi o pivô de tudo - de todas as mudanças. mas só percebi faz pouco, tanto que havia uma vaquinha quanto que ela foi para o precipício!
vocês conhecem a história da vaquinha, não é? se não conhecem deveriam conhecer e tentar identificar quem ou o quê é a vaquinha na história [que você mesmo escreve] da sua vida... eu não tive coragem de jogar a minha vaquinha conscientemente no precipício, mas inconscientemente fiz isso e foi nesse mesmo momento que puxei o freio de mão do blog [e da vida!].